Depois da era Donald Trump, em que a polarização da sociedade americana se intensificou e minorias se tornaram alvo de preconceito e ataques por parte de extremistas contrários a imigrantes, negros e pessoas LGBTQ+ , o presidente Joe Biden deu um importante recado ao país ao nomear a nova porta-voz da Casa Branca. 

Karine Jean-Pierre, de 44 anos, que substituirá Jen Psaki a partir de 13 de maio, é negra, abertamente gay, nasceu na Martinica e foi criada no bairro Queens, em Nova York, que abriga pessoas de menor renda e imigrantes. 

A escolha foi saudada dentro e fora do país como uma demonstração de apoio aos esforços de inclusão e diversidade e contra a onda de conservadorismo e extremismo que se disseminou no país. 

Porta-voz da Casa Branca é ‘vitrine’ do governo dos EUA

Karine Jean-Pierre era a vice-secretária de imprensa do governo, mas já tinha trabalhado na campanha do democrata e tem uma carreira consolidada na área de comunicação do partido do presidente dos EUA.

O anúncio da nova secretária de imprensa foi feito por sua antecessora, Jen Psaki, durante o briefing diário aos jornalistas na Casa Branca. Psaki deixa o cargo para assumir uma função no canal de notícias a cabo MSNBC.

No Twitter, ela disse que Karine Jean-Pierre é uma “mulher notável” com “um núcleo moral”.

“Ela será a primeira mulher negra e a primeira pessoa abertamente LGBTQ+ a servir como secretária de imprensa da Casa Branca.

Representatividade importa e ela dará voz a muitos, mas também fará muitos sonharem alto com o que é realmente possível.”

O cargo de porta-voz da Casa Branca é muito mais do um assessor de imprensa sênior, já que a função é quase uma “vitrine” do governo.

Jean-Pierre vai representar o presidente nos briefings diários para a imprensa, transmitindo mensagens oficiais do país mais influente do planeta e respondendo sobre atos do governo.

É uma posição de grande visibilidade e relevância. Como definiu o colunista da BBC Anthony Zurcher, ela será “o rosto de uma administração presidencial para a mídia nacional e, por extensão, para o país e o mundo.”

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Nova porta-voz da Casa Branca é elogiada por Biden

Karine Jean-Pierre vai levar mais de duas décadas de experiência em política democrata para o cargo de porta-voz da Casa Branca.

Em comunicado, a Casa Branca informou que ela é uma “conselheira de longa data” de Biden, pois atuou em cargos de comunicação sênior e políticos na atual administração, na campanha de Biden e quando ele era vice-presidente de Barack Obama.

Ela também já foi analista política das emissoras NBC e MSNBC.

Nas eleições presidenciais de 2016, foi a porta-voz nacional da MoveOn, um importante grupo de defesa liberal.

“Tenho orgulho de anunciar que Karine Jean-Pierre será a próxima secretária de imprensa da Casa Branca”, disse Biden, em declaração oficial.

“Karine não apenas traz a experiência, o talento e a integridade necessários para este trabalho difícil, mas ela continuará a liderar a comunicação sobre o trabalho do governo Biden-Harris em nome do povo americano. 

Jill e eu conhecemos e respeitamos Karine há muito tempo. Ela será uma voz forte falando por mim e por esta administração.”

O presidente também cumprimentou Jen Psaki pelo trabalho realizado no tempo que ficou no governo.

“Jen Psaki estabeleceu o padrão para devolver decência, respeito e decoro à Sala de Reuniões da Casa Branca.

Quero agradecer a Jen por elevar o nível, comunicar-se direta e sinceramente com o povo americano e manter seu senso de humor ao fazê-lo.

Agradeço a Jen por seu serviço ao país e desejo a ela o melhor à medida que avança.”

No Twitter, Jean-Pierre agradeceu a oportunidade, que chamou de “verdadeira honra”. “Estou ansiosa para servir à esta administração e ao povo americano.

Tenho uma grande responsabilidade ao substituir Jen Psaki, que tem sido uma grande amiga, mentora e excelente assessora de imprensa.”

A vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, parabenizou a nova secretária de imprensa pela promoção. 

“Parabéns Karine por fazer história como nossa próxima secretária de imprensa da Casa Branca. Estou ansiosa para vê-la atrás do pódio. Você vai se sair muito bem”, publicou Kamala no Twitter.

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Repercussão da chegada da nova porta-voz da Casa Branca 

Os jornalistas Zolan Kanno-Youngs e Michael D. Shear, correspondentes da Casa Branca do New York Times, lembraram que como porta-voz, Karine Jean-Pierre enfrentará o desafio de “transmitir a mensagem do governo antes das eleições de meio de mandato que devem representar um desafio significativo para os democratas.”

“A equipe de Biden reconheceu que os funcionários do governo têm lutado para atravessar o país e falar ao público durante a pandemia, e o próprio presidente disse que deveria viajar mais e conversar com os eleitores sobre suas prioridades”, destacaram sobre os esforços de Biden antes das eleições.

Fora dos EUA, Piotr Smolar, correspondente em Washington do Le Monde, também relacionou a promoção de Jean-Pierre às eleições de meio de mandato, em novembro.

E lembrou que, em 2018, a nova secretária de imprensa da Casa Branca já deu fortes declarações se posicionando contra o antigo presidente do país:

“‘Sou tudo o que Donald Trump odeia. Sou uma mulher negra, sou gay, sou mãe'”, disse Jean-Pierre em 2018, quando trabalhava para a organização de esquerda MoveOn.”

O colunista da BBC Anthony Zurcher classificou como “inovador” o anúncio de Karine Jean-Pierre como porta-voz do governo Biden.

E destacou que o presidente dos EUA “colocou ênfase” em nomear mulheres negras em posições de poder:

“Ela se junta à vice-presidente Kamala Harris, à nova juíza da Suprema Corte Ketanji Brown Jackson, à presidente do Conselho de Políticas Domésticas, Susan Rice, à embaixadora da ONU, Linda Thomas-Greenfield, e diversas de outros funcionárias e juízas em cargos de destaque.”

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