Londres – O furacão Ian deixou de ponta-cabeça o noticiário dos EUA e criou situações inusitadas para os repórteres que faziam a cobertura, pois não é muito usual que jornalistas virem parte da notícia e nem heróis.

 Mas no meio do furacão mais violento que já atingiu o sul da Flórida, o que um jornalista deve fazer ao ver  pessoas em apuros e correndo risco de morte?

Alguns não pensaram duas vezes e seguiram o exemplo de Clark Kent, que era jornalista mas de vez em quando se transformava no Super-Homem. Sem super força ou super poderes, eles se viraram como puderam.

Mas ajudaram a resgatar pessoas e animais encurralados pelas águas, encararam redações inundadas ou protegeram equipamentos a todo custo – até com um preservativo.

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Repórter Kyla Gyler, da NBC; protegeu o microfone com um preservativo na cobertura do furacão Ian

Jornalista vira herói ao resgatar enfermeira na cobertura do furacão 

Como quem está no furacão é para se revirar, alguns jornalistas foram atingidos por galhos, foram derrubados pelo vento e tiveram que continuar trabalhando com a redação inundada.

Um dos casos de maior repercussão foi o de Tony Atkins, que levou nas costas uma enfermeira surpreendida pelas águas quando ia para o trabalho. 

O jornalista de uma emissora afiliada da CNN na Flórida resgatou a mulher, que estava presa em seu carro depois de inutilmente tentar passar com o veículo pelas águas das enchentes geradas pela passagem do furacão.

De acordo com a afiliada da NBC WESH 2, a enfermeira, estava a caminho do trabalho na manhã de quinta-feira (29/9) quando seu carro enguiçou em meio às águas que corriam pela Orange Avenue, em Orlando. O repórter deixou de contemplar a cena para virar parte dela.

Enquanto era carregada pelo jornalista, a enfermeira se agarrou a Atkins até chegar a um lugar seguro. E daí virarem notícia nacional.

Jornalista abriga cão resgatado depois da passagem do furacão 

O repórter da NewsNation Brian Entin ajudou a resgatar um cachorro no meio de sua cobertura sobre o furacão Ian, quando a tempestade atingia um porto da Flórida.

Entin tuitou um vídeo mostrando um homem se arriscando em meio às águas sopradas pelo vento para resgatar um cachorro de um veleiro.

Depois de colocar o cachorro em terra firma, o homem o entregou ao repórter, que então o abrigou são e salvo no porta-malas do carro de reportagem.

De acordo com Entin, enquanto cuidava do cachorro, o homem voltou a enfrentar a tempestade, desta vez para resgatar um gato.

Furacão, câmera no chão e… ação!

Tudo parecia uma matéria normal sobre o furacão. O repórter bem enquadrado, mostrando uma família em meio às águas que iam subindo por causa da tempestade. Alguns carregavam crianças, outros alguns objetos que conseguiram salvar, e iam caminhando com dificuldade.

Até que o operador de câmera dá um zoom e percebe com nitidez o que precisava fazer. De repente, a câmera, ainda filmando, é colocada no chão enquanto o repórter está falando.

Aí se vê o cinegrafista correndo para ajudar a família. A reportagem não é interrompida, enquanto o cinegrafista volta com a primeira pessoa que ajudou.

Ele então se dirige para retomar sua função quando avista outra pessoa precisando de ajuda, e volta às águas. Depois de ajudar mais uma pessoa, ele ainda volta uma terceira vez ao resgate.

A pessoa chega a cair na água e ele a ajuda a se levantar. Depois de tirá-la da água, ele finalmente retoma a câmera.

O repórter volta a ser enquadrado, a tempo de se ouvir um belo elogio que ele faz ao vivo à ação de seu cinegrafista.

Este repórter não é quebra-galho

O jornalista Jim Cantore queria demonstrar aos telespectadores a força dos ventos do furacão, e conseguiu. Ele tentava se manter firme, mas não conseguia. Ele era empurrado pela tempestade, mas pelo menos se mantinha de pé.

Mas aí aconteceu o inusitado: foi atingido por um galho levado pelo furacão.

Mesmo assim, o bravo repórter não caiu. Para manter o resto de dignidade que lhe restava, agarrou-se a uma das placas que ainda se mantinha de pé (a outra já tinha sido arrancada pelos ventos).

Passou um bom sufoco, mas conseguiu demonstrar para a audiência, ao vivo, o que é estar em meio à tormenta provocada pelo furacão.

Jornalismo verdade: trazendo o furacão para a redação

Enquanto alguns salvavam pessoas e animais, outros tiveram que salvar a própria “casa”.

A redação da Wink Studios recebeu um convidado especial: o próprio furacão, que atingiu fortemente a região de Fort Myers, onde fica a emissora.

Não deu tempo de fazer entrevista, porque o convidado inundou todo o primeiro andar, fazendo com que a emissora tivesse que parar de transmitir, devido ao corte de energia.

Em meio ao caos, alguns jornalistas continuavam bravamente na emissora.

Não se sabe se por amor ao jornalismo ou por falta de opção: o prédio da emissora estava totalmente cercado pelas águas, e não havia como sair, a não ser de barco.

Já Kyla Gyler, da NBC não se deixou abater pela chuva que encharcava os equipamentos e improvisou para proteger o microfone da umidade.

Em vez de um protetor comum, envolveu-o com um preservativo, fazendo a alegria das redes sociais com o vídeo em que confirmou o que muita gente perguntava nas redes: 

“Isso é exatamente o que vocês estão pensando – sim, é um preservativo”. 

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